Entenda como a Lei nº 14.967/2024, o Decreto nº 13.012/2026 e a IN DG/PF nº 340/2026 impactam a atuação do Gestor de Segurança Privada e reforçam a importância da gestão contínua de riscos, da tecnologia e da tomada de decisão orientada por dados.
Entrevista: Max Madruga, Diretor de Risco e Segurança da SafeCompany
A Lei nº 14.967/2024, o Decreto nº 13.012/2026 e a Instrução Normativa DG/PF nº 340/2026 consolidam um novo marco regulatório para a segurança privada no Brasil. Entre as mudanças, destaca-se o reconhecimento do Gestor de Segurança Privada como profissional especializado, de nível superior, responsável por atividades como análise de riscos, elaboração de projetos e integração de recursos de proteção.
Nesta entrevista, Max Madruga explica como esse profissional pode utilizar tecnologia para estruturar sua atuação, fortalecer a gestão corporativa e apoiar decisões da alta liderança.
Em resumo: o novo marco regulatório reforça o papel do Gestor de Segurança Privada na análise de riscos, na elaboração de projetos e na integração dos recursos de proteção. Nesse contexto, ganham importância a rastreabilidade das informações, a preservação de evidências, o acompanhamento de indicadores e a capacidade de transformar dados de segurança em decisões para o negócio.
Sobre o especialista
Max Madruga
Diretor de Risco e Segurança da SafeCompany
Advogado, Conselheiro e Gestor de Segurança Privada. Formado em Direito, com pós-graduação em Gestão de Segurança Privada e mestrando em Direito. Diretor Administrativo da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Foi membro efetivo da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP) da Polícia Federal. Professor Universitário em curso de formação de gestores de segurança privada.
1. O que muda para o profissional de segurança privada com o novo marco regulatório?
O novo marco regulatório eleva o nível de responsabilidade e de reconhecimento do profissional. A Lei nº 14.967/2024 define o Gestor de Segurança Privada como profissional especializado, de nível superior, responsável por analisar riscos, definir e integrar recursos físicos, humanos, técnicos e organizacionais, elaborar projetos de proteção e realizar auditorias de segurança.
O Decreto nº 13.012/2026 detalha o conceito de projeto de segurança como um documento estruturado a partir da análise de riscos e da definição dos recursos necessários para sua mitigação.
Portanto, não se trata apenas de executar procedimentos operacionais. O gestor passa a atuar de maneira mais próxima da estratégia, da governança e da tomada de decisão da organização.
Esse movimento exige uma combinação de conhecimento técnico, domínio regulatório, capacidade de liderança e competência para demonstrar à alta gestão como os riscos podem afetar pessoas, ativos, operações, resultados e reputação.
2. Quais são as principais atribuições do Gestor de Segurança Privada?
O gestor precisa compreender o contexto da organização, identificar ameaças e vulnerabilidades, avaliar impactos, analisar controles existentes e definir estratégias de proteção proporcionais aos riscos.
Também deve integrar pessoas, processos, tecnologia, fornecedores e recursos organizacionais. A elaboração de um projeto não deve terminar na produção de um documento. É necessário acompanhar sua implementação, verificar a eficácia dos controles e revisar as medidas quando houver mudanças no ambiente, incidentes ou resultados abaixo do esperado.
Em termos práticos, o gestor atua em quatro dimensões: técnica, ao analisar e tratar riscos; regulatória, ao demonstrar conformidade; gerencial, ao coordenar recursos e planos; e executiva, ao apresentar cenários e defender prioridades de investimento.
3. Por que a aplicação da ISO 31000 é importante nesse novo cenário?
A ISO 31000 fornece princípios e diretrizes para identificar, analisar, avaliar, tratar, monitorar e comunicar riscos. A norma também orienta que a gestão de riscos seja integrada à governança, à estratégia, ao planejamento, aos processos de reporte e à cultura organizacional.
Para o Gestor de Segurança Privada, isso significa deixar de tratar o risco como um evento isolado ou como uma avaliação produzida apenas uma vez por ano. A gestão precisa ser contínua, baseada em dados atualizados, evidências, indicadores e revisão dos controles.
4. Qual é o principal desafio para transformar a gestão de riscos em uma prática contínua?
O principal desafio é evitar que a gestão de riscos fique restrita a planilhas, relatórios estáticos ou documentos que não se conectam à operação.
Os riscos mudam com a atividade da empresa, com o comportamento das pessoas, com a disponibilidade dos controles, com os fornecedores e com o ambiente externo.
O gestor precisa ter condições de acompanhar essa dinâmica. Deve saber quais riscos estão aumentando, quais controles estão indisponíveis, quais ações estão atrasadas e quais decisões precisam ser tomadas pela liderança.
Por isso, é fundamental contar com processos claros e uma base tecnológica capaz de organizar as informações, atualizar os registros, preservar evidências e permitir que a análise seja transformada em ação.
5. Como a tecnologia pode apoiar o Gestor de Segurança Privada?
A tecnologia pode dar suporte à gestão contínua de riscos ao organizar dados, registros, evidências, projetos, indicadores e planos de ação em um ambiente integrado.
Ela não substitui a análise profissional, a responsabilidade técnica ou a liderança do gestor. Seu papel é oferecer estrutura e visibilidade para que o profissional consiga acompanhar a evolução dos riscos, conectar informações e transformar dados em decisões.
Análise e monitoramento de riscos
Uma plataforma de gestão pode trabalhar com coleta contínua de dados, registros de eventos, alertas e informações relacionadas aos controles da organização. Esses elementos ajudam a construir uma visão dinâmica da exposição a riscos, em vez de uma fotografia pontual da situação.
O gestor pode utilizar essas informações para identificar vetores de risco, comparar unidades ou processos, acompanhar tendências e priorizar respostas. O objetivo é apoiar uma atuação preventiva e orientar os recursos para os pontos mais críticos.
A análise continua sendo uma atribuição profissional. A tecnologia organiza e apresenta os dados, mas cabe ao gestor definir o contexto, os critérios de avaliação, a relevância de cada informação e o tratamento adequado para cada risco.
Projetos de segurança e planos de ação
O projeto de segurança pode ser estruturado em etapas, responsáveis, prazos, evidências e critérios de conclusão.
Na prática, o gestor pode registrar o diagnóstico, a avaliação dos riscos, as medidas previstas, os recursos necessários e os planos de implementação. Depois, consegue acompanhar a execução, verificar pendências, registrar evidências e revisar as ações quando houver alterações no cenário.
Essa conexão entre diagnóstico, decisão, implementação e verificação favorece a rastreabilidade.
O fluxo pode ser resumido em seis etapas: diagnóstico, avaliação, desenho da proteção, implementação, verificação e revisão. Com isso, o projeto deixa de ser um documento isolado e passa a funcionar como instrumento de gestão.
Integração de pessoas, processos e tecnologias
Os riscos corporativos normalmente atravessam várias áreas. Uma ameaça pode envolver segurança física, tecnologia, recursos humanos, fornecedores, compliance, operações e continuidade do negócio.
A integração das informações desses diferentes componentes em um ambiente comum pode facilitar a distribuição de responsabilidades, o acompanhamento de planos e a comunicação entre as equipes.
Isso não significa centralizar todas as decisões em uma única área. Significa criar visibilidade compartilhada, definir responsabilidades e permitir que cada área compreenda como sua atuação contribui para a proteção do negócio.
Também é possível integrar recursos relacionados a diferentes dimensões da gestão, como projetos, planos de ação, relatórios gerenciais, controle de documentos, gestão de terceiros, alertas de inteligência, canais para relatos de atos inseguros e irregularidades e proteção digital.
Recursos de visão computacional aplicados às câmeras já existentes na organização também podem ser utilizados para detectar ameaças e não conformidades, monitorar perímetros, fluxos de pessoas e veículos e acompanhar a disponibilidade dos dispositivos.
A relevância de cada recurso depende do contexto, da criticidade dos ativos, do modelo operacional e dos objetivos da organização. O gestor deve começar pelos riscos e pelas decisões que precisam ser apoiadas, e não simplesmente pela quantidade de funcionalidades disponíveis.
Indicadores e relatórios para a alta liderança
Um dos principais diferenciais do gestor estratégico é traduzir a linguagem da segurança para a linguagem do negócio.
A alta liderança precisa compreender não apenas quantos incidentes ocorreram, mas o que eles representam para os objetivos da empresa.
Um relatório executivo deve demonstrar, por exemplo, quais são os riscos mais relevantes, como a exposição evoluiu, quais controles estão funcionando, quais ações estão atrasadas e qual investimento é necessário para reduzir determinado risco.
É possível combinar indicadores de exposição, prevenção, controle, resposta, consequência e governança.
Os indicadores de exposição podem demonstrar o nível de risco por unidade, processo, ativo ou categoria de ameaça. Os de prevenção podem acompanhar planos concluídos, inspeções realizadas e documentos válidos. Os de controle podem mostrar a disponibilidade de câmeras, a aderência a procedimentos e a eficácia das barreiras.
Também são relevantes os tempos de detecção, comunicação, contenção e encerramento de incidentes, além de perdas financeiras, interrupções, não conformidades, riscos aceitos, auditorias e decisões da liderança.
O importante é relacionar cada indicador a uma decisão. Indicadores não devem existir apenas para preencher um painel; devem ajudar a organização a agir.
Auditorias, documentos e evidências
A regulamentação exige organização documental e capacidade de demonstrar informações, registros e evidências em diferentes contextos.
O Decreto nº 13.012/2026 prevê, por exemplo, a manutenção de registros detalhados de análises, avaliações, auditorias e projetos de segurança em determinados serviços de gerenciamento de riscos.
Uma plataforma de gestão pode ajudar a armazenar e compartilhar políticas, procedimentos e comunicados, além de acompanhar a vigência e a renovação de documentos como alvarás, licenças, laudos, certificados, garantias e contratos.
Alertas também podem ajudar a empresa a atuar antes do vencimento desses documentos.
Esse controle apoia três objetivos: prevenir lacunas documentais, fortalecer a governança e facilitar a localização do histórico de decisões, ações e comprovações.
Naturalmente, a existência de um registro em uma plataforma não significa, por si só, que a organização esteja em conformidade. A suficiência da documentação deve ser avaliada conforme a norma e o contexto aplicável.
Gestão de terceiros, compliance e reputação
Os riscos de segurança não estão limitados ao perímetro físico. Pessoas, prestadores, fornecedores, contratos, acessos e condutas podem produzir impactos operacionais, financeiros, legais e reputacionais.
A SafeCompany oferece recursos de gestão de terceiros, pesquisas cadastrais em fontes oficiais, análise de perfil ético, canal de relatos anônimos e proteção digital. Esses recursos podem ampliar a visão do gestor sobre o ecossistema de riscos da organização.
É essencial, entretanto, que esses recursos sejam utilizados com finalidade definida, critérios de proporcionalidade, controles de acesso e respeito à legislação aplicável, inclusive às regras de proteção de dados pessoais.
A gestão de riscos deve ser realizada em articulação com jurídico, compliance, tecnologia da informação, recursos humanos, operações e suprimentos.
Como a SafeCompany se insere nesse novo cenário?
A SafeCompany funciona como uma plataforma integrada para gestão de riscos, segurança e controles corporativos. Em um único ambiente, permite organizar informações, registrar eventos, acompanhar indicadores, administrar planos de ação, controlar documentos, avaliar terceiros e produzir relatórios gerenciais.
A plataforma não substitui a análise profissional nem a responsabilidade técnica do Gestor de Segurança Privada. Seu papel é oferecer uma solução para tornar a gestão mais estruturada, rastreável, colaborativa e orientada por dados.
6. Uma boa gestão de riscos pode ajudar a empresa na contratação ou renovação de seguros?
Uma organização que conhece seus riscos, mantém controles ativos, acompanha indicadores e preserva evidências consegue apresentar informações mais consistentes em conversas com corretores, seguradoras e áreas financeiras.
A plataforma pode ajudar a organizar evidências sobre prevenção, monitoramento, correção de não conformidades, resposta a incidentes, controle documental e melhoria contínua. Isso favorece uma interlocução mais técnica e transparente com o mercado segurador.
Já temos clientes da SafeCompany conversando com suas seguradoras para apresentar a plataforma como uma ferramenta de gestão de riscos e negociando melhores condições de contratação dos seus seguros.
7. Max Madruga, qual mensagem deixaria para os profissionais de Gestão de Riscos, Segurança Corporativa e Gestores de Segurança Privada?
O novo cenário exige que o profissional vá além da resposta a incidentes. É necessário compreender o negócio, antecipar riscos, estruturar projetos, integrar recursos e demonstrar à liderança como as decisões de segurança protegem pessoas, ativos, operações e reputação.
A tecnologia pode ampliar essa capacidade. Uma plataforma integrada ajuda a transformar dados dispersos em informação gerencial, planos em execução, documentos em evidências e indicadores em decisões.
Meu convite aos profissionais do setor é que conheçam a SafeCompany e avaliem como seus recursos podem apoiar a realidade de suas organizações. A solução pode ser utilizada como uma base para organizar a gestão, fortalecer a governança e aproximar a segurança da estratégia empresarial.
O Gestor de Segurança Privada do novo marco regulatório não deve apenas responder ao risco. Deve ajudar a organização a decidir melhor diante dele.
Conheça a plataforma SafeCompany e veja como estruturar uma gestão de riscos mais integrada, rastreável e orientada por dados.